sábado, 23 de julho de 2011

00

Uma Lição de História

PRESTA ATENÇÃO!

Todos os mundos nasceram de alguma forma; através de uma explosão magnânima, do desejo de seres ancestrais ou simplesmente existiram e pronto.

Este mundo nasceu através do desejo e do sonho de dois irmãos.

Lamak e Lyka compuseram uma canção tão sublime que do Nada surgiu a Essência que deu origem a Tudo. Enquanto o jovem Lamak dedilhava um violão velho e bem tratado que ele ganhara do pai há tempos atrás, Lyka entoava versos com uma voz tão maravilhosa que não seria de se admirar que um novo mundo nascesse.

Claro, a Essência é inconstante, instável, imprevisível.

Caótica.

Nenhum dos dois fazia idéia (e provavelmente, ainda não fazem) de o que estavam criando naquele instante. Os versos dançavam com as notas que ecoavam do violão, vez ou outra dando as mãos e brincando de ciranda com as notas musicais que se perdiam pelo vento. Nessa mescla de sons, um mundo novo nascia, ao mesmo tempo em que o sol começava a raiar além dos montes e colinas que rodeavam a casa dos dois irmãos, pois eles passaram a noite inteira tocando e cantando, alegres por um reencontro há muito esperado.
Pois os filhos de Tarcísio, o Valente, não se viam já há anos.

Depois do amanhecer, contudo, os dois ainda não haviam terminado sua canção. Continuaram, mas dessa vez era Lamak quem cantava, com um timbre de barítono perfeito. Acompanhando a voz dele, Lyka tirava sons de uma linda harpa que ganhara da mãe, a Dona Helena, fazia alguns meses.

E desse jeito, enquanto o dia se arrastava e os dois riam e cantavam e tocavam e até mesmo dançavam com as próprias sombras, ou as vassouras da casa, ou com os móveis mesmo como se fossem convidados alegres e efusivos, Lamak e Lyka construíam um novo mundo onde nova vida nascia. Fadas vieram através dos raios de sol que entravam pelas frestas das janelas da casa e Gnomos brotavam do chão, juntos com a relva e a terra que se agitava. Quando Lamak começou a batucar por sobre a mesa e as panelas, criando um ritmo forte e rápido enquanto a irmã dançava sozinha, homens nasceram naquele novo mundo, fortes e robustos. Alguns mais belos do que outros; muitos mais fortes do que poucos.

E a Essência caprichosa criou um próprio sol. Depois, uma lua nasceu no céu, mas ela não era prateada, mas sim vermelha como o vinho que Lamak bebia enquanto tocava. O mar encheu a terra daquele mundo na medida em que o suor escorria pelo corpo esguio da menina Lyka que dançava sem parar. As risadas felizes deles deam origem aos muitos sons agradáveis que cobririam aquela terra, como o canto dos pássaros e de muitos outros também.

Finalmente então, os dois pararam de tocar e chegou o momento em que Lyka precisou dormir. O irmão lhe cedeu a cama e da mesma forma como faziam na infância, ele a beijou na testa, desejando-lhe bons e longos sonhos. Isso gerou toda a Bondade do novo mundo que eles nem faziam idéia estar nascendo em algum lugar de sonho eterno e quando ela disse “Eu te amo, irmão!” a Essência do novo mundo explodiu, mas não de forma destruidora; ela apenas se dividiu, pois o Amor, franco e verdadeiro, tende a se espalhar em todas as direções.

E quando Lamak respondeu “Eu também, irmã. Amo você!” a Essência explodiu mais uma vez, em milhões de pedaços, tão minúsculos que foram capazes de adentrar os poros dos corpos de muitos seres que agora caminhavam pela terra nova, recém-criada através da música deles.

E desse maneira, um novo mundo de sonho tão sólido quanto as pedras e o ferro nasceu.

Esse mundo mágico e perturbado.

Esse mundo novo chamado Nirvana.

Nenhum comentário:

Postar um comentário