sábado, 30 de julho de 2011

05

Uma Lição de Guerra
Certas vezes
Somente o sangue
Apazígua

Existe em Disturbed, habitando os Vales Verdes perto da Grande Cordilheira, uma raça sem o menor poderio militar. Seres que poderiam ser esmagados facilmente, feito formigas, por qualquer um que tentasse tomar suas terras maravilhosas. Esses são os Klein, ou comumente chamados, os Gnomos.

Apesar de tudo isso apontar para outra direção, afirmo que muito se engana aquele que acredita que os Klein são seres sem importância na história de Disturbed.

O Rei Callaz Ferris, governante de Hagane, enxergou nesses pequenos Gnomos uma utilidade que vai muito além do simples e vulgar pensamento comum.

Pois apesar de não terem a menor força, os Klein dispõem de uma inteligência surpreendente, tão aguda quanto à de muitos Magos de Círculos elevados e com a inteligência deles, aliada a riqueza enorme do reino, Hagane prosperou em um caminho onde nenhuma outra sociedade de Disturbed ainda havia trilhado caminho.

A tecnologia que usa Essência como fonte de energia.

Durante cinco anos os Klein e Hagane prosperaram e criaram todo tipo de invenção que visava facilitar a vida da população; tochas foram substituídas por lâmpadas de luz; água passou a chegar às muitas casas distribuída através de dutos e canos; escolas de leitura e escrita foram abertas por toda a capital do reino e outras mais pelos campos isolados; novas culturas do solo e de animais foram desenvolvidas e isso tudo foi apenas o começo de um plano elaborado pelo regente, Callaz Ferris. A população estava a seus pés, o louvando como o grande homem que era.

Mas então, vieram os Nove, caindo através dos céus e chegando trazendo morte e desespero.

Sem delongas, digo que Hagane sofreu bastante nessa época. O povo de Hagane jamais havia lutado. Nunca houve necessidade de que homens empunhassem armas e partissem para a peleja, defendessem suas casas, suas terras e suas vidas.

Homens que sempre conheceram a paz acabam vendo a morte mais rápido do quê todos os demais.

No fim, quando o príncipe Rothaarig venceu os Nove e ascendeu ao trono de Amarante no lugar de Alberto Patricius, até então o Rei “de Vermelho”, Hagane estava devastada e seu povo trucidado, massacrado, espalhado aos pedaços pelas ruas e campos a leste da Grande Cordilheira. A morte mais que brutal (e que por ora não ouso contar) da esposa do Rei Callaz criou um vazio no coração do pobre homem.

Mas muito se engana também aquele que acreditar que ele permaneceu quebrado.

Com algo muito similar ao ódio fervilhando em sua mente e incendiando o buraco de dor que ficara em seu coração, o Rei Callaz convocou o seu povo para reconstruir suas casas, replantarem em suas terras e criarem ainda mais animais e fazerem mais filhos para perpetuarem seus nomes através dos tempos, mas dessa vez com mais força e mais resistência. Como montanhas intransponíveis.

Feitas de puro aço.

Mas não somente escolas e não somente luzes e também não somente dutos de água eles iriam reconstruir; Hagane agora também desenvolvia meios de guerrear que nenhum reino possuía ou conseguiria criar. Desenvolveram aquilo que Callaz considerou o maior advento da história, os Robôs-Guerrilheiros. Máquinas imensas que podem ser pilotadas por um soldado treinado, carregadas com armas potentes e também imensas. O mais impressionante nessas máquinas é que a Essência ambiente é absorvida e usada como energia para suprir seu funcionamento. Além disso, os Robôs-Guerrilheiros se alimentam também da Essência de seus pilotos através de conexões que atravessam a carne e se fixam no corpo desses soldados. Uma honraria fascinante para todos em Hagane.

Passou-se sete anos até o início da Grande Guerra, quando Amarante avançou contra os demais reinos sob o estandarte do Imperador Vermelho, antigo príncipe Rothaarig. As máquinas de Hagane se dispuseram a lutar nas planícies de Rasen defendendo a única rota que permitia a entrada no reino contra as forças inimigas. Era o teste que Callaz esperava para seu coração de guerreiro que ansiava por uma chance de provar que o aço era forte e inquebrável.

Mas a Torre do Cego é uma vantagem que quebra até mesmo o aço mais bem temperado.

E assim foi com Hagane, quando mais tropas de Amarante surgiram do outro lado das cordilheiras, emboscando soldados e máquinas no meio do conflito nas planícies, devastando todos e a tudo sem deixar ninguém vivo e nada inteiro.

Fosse a Sorte ou o Destino, Callaz não viu seu reino dominado por mais que algumas semanas; o Imperador Vermelho foi morto durante uma batalha épica (e ainda não muito bem contada pelos bardos) contra as forças de Creta, lideradas por Karaku Stier, na Batalha dos Mil Mortos. Com a queda inacreditável dele, as tropas de Amarante se renderam e a Grande Guerra, que durou apenas um mês, mas ceifou a vida de centenas de milhares (outra história também muito mal contada).

A Fada Julien assumiu o controle de Amarante e ordenou que os conflitos, que se estendiam em todas as direções possíveis (e todas sob a bandeira de seu reino) acabassem. Creta aceitou a rendição, mas não exigiu nenhum tributo da Rainha Fee; consideraram que a devastação da terra de Licht era conseqüência suficiente para um povo que se aliou a um homem tão demoníaco quanto os Nove.

Mas Hagane, que mais uma vez sucumbira ante a mão de adversários mais poderosos, não se satisfez. O Rei Callaz continuou com o fogo a queimar seu coração ferido, nutrindo uma perigosa mágoa quanto ao reino de Amarante e seu povo. Disposto a alcançar o poderio militar que realmente precisava para enfrentar de frente qualquer inimigo, fosse vindo do Iowa, Amarante ou mesmo Creta, Callaz imediatamente começou a buscar por aquilo que as lendas contavam ser a Essência mais poderosa do mundo. Com esse poder, suas máquinas e seus soldados poderiam vencer qualquer desafio, qualquer adversário.

E talvez, quem sabe, estender o domínio de Hagane para além das Grandes Cordilheiras.

E então começou a Caça aos Shuyo.

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