sexta-feira, 26 de agosto de 2011

12


A Outra Rainha Fee
A Essência do perfume dela
Era como um mar de rosas
Em pleno deserto escaldante
Os clones de Taty se colocaram em posição de combate, enquanto ela própria ainda abraçava a princesa Chii nos fundos da caverna. Lá fora, um Grifo imenso e uma mulher bárbara faziam sons ameaçadores e capazes de perturbar o coração de qualquer pessoa.
Era uma mulher linda da tribo dos Griffon. Os cabelos ruivos eram imensamente longos, alcançando quase a altura dos joelhos dela. O corpo era magro e parecia ser bastante flexível. As pernas longas e de coxas torneadas. O rosto era oval, com olhos grandes e íris acinzentadas. Ela tinha pinturas na face; linhas azuis que contornavam os olhos e outros traços vermelhos que desciam como lágrimas através do canto do rosto. Os lábios largos e carnudos. As roupas pouco faziam para esconder o corpo magnífico; os seios volumosos eram cobertos por algo que parecia seda branca, sobreposta em várias camadas e que caiam pelos ombros em longas faixas cortadas, como as penas de um pássaro. Na cintura ela vestia apenas uma peça única de couro que nem chegava ao meio das coxas incríveis. Os pés calçados com sandálias de couro fino que eram amarradas em torno das canelas. No pulso direito ela trazia pulseiras de pano verdes, vermelhas e azuis. Uma braçadeira dourada envolvia seu braço esquerdo e luvas de couro lhe cobriam as mãos.
O Grifo grasnou alto e a mulher ergueu a lança que carregava emitindo um grito agudo. A lança longa tinha a ponta de pedra e nesse instante ela brilhou de maneira intensa, tornando aquela uma visão, no mínimo, mágica.
E nesse ponto, o gelo que cobria o corpo de Shiro se despedaçou completamente, ao mesmo tempo em que cinco outros Grifos pousavam na relva, cada um com um guerreiro em suas costas.
─Shiro! ─Taty gritou de dentro da caverna, surpresa.
Ele se virou para ela com o olhar firme. O gelo em seu braço refletia a luz da lança da mulher Griffon como um espelho.
─Está tudo bem, senhorita Yue! ─ele disse, empunhando a espada à frente. ─Eu protegerei você e a princesa Chii dessa vez!
Os Griffon berravam, misturando suas vozes com o grasnar de seus Grifos. A mulher ruiva saltou para a grama e apontou a lança para frente. Os clones de Taty saltaram cada uma em uma direção, esperando pelo combate.
─Não estamos procurando combate, entenderam? ─Shiro gritou com imponência. ─Mas se quiserem, eu terei prazer em lutar com cada um de vocês!
A mulher então falou e sua voz soou calma e sem ameaça:
─Nenhum de nós deseja isso, portador da Espada de Cristal. ─ela abaixou sua lança e continuou: ─Nenhum Griffon ousaria atacar a última herdeira dos Hollerbach de Amarante. Ainda mais se tratando da princesa Elfa Chii, filha de Julien Hollerbach. Por favor, abaixe sua espada.
Shiro e os clones se entreolharam, desconfiados. Taty avançou para fora da caverna com a princesa ainda dormindo em seus braços e perguntou:
─E como podemos ter certeza disso? Quem é você e que garantia pode nos dar?
─Entendo sua desconfiança, Guardiã. Os Griffon há muito tempo se mostraram contra o imperialismo de Amarante, mas jamais fomos contra a Rainha Fee, Julien Hollerbach. ─ela fez uma pausa longa. Os olhos dela encararam o chão por um momento, como se sentisse um pesar muito grande no coração. Continuou, voltando a encará-los com firmeza: ─Eu sou a Rainha Griffon, Alice Raio-de-Sol e como amiga de sua finada Rainha, eu lhes peço ─e nesse ponto ela curvou a cabeça com respeito. ─Permitam-me ajudá-los nesse momento tão cruel.
Taty e Shiro estavam perplexos. Aquela mulher falava com uma autoridade evidente, mas ao mesmo tempo, exalava uma tristeza genuína em cada uma de suas palavras.
─Senhorita Yue? ─Shiro disse a ela.
No instante seguinte, cada clone de Taty se esvaneceu, como fumaça. Alice Raio-de-Sol sorriu com gentileza e lhes pediu:
─Por favor, permitam-me levá-los para um lugar mais seguro e confortável. Nossa aldeia não fica muito longe daqui. Por favor, nos acompanhem.
─Antes, esclareça uma coisa ─Taty disse. ─Você disse ser amiga da Rainha Julien?
Ela aquiesceu apenas. Outra vez o pesar se mostrou em sua face bela e Taty pôde sentir a tristeza de sua alma, percebendo afinal o que era de fato evidente. Ela disse:
─Shiro, vamos acompanhá-los.
Ele concordou com a cabeça, sentindo uma estranha confiança no julgamento daquela Guardiã. Também sentia algo em relação à Alice-Raio-de-Sol, mas não compreendia ainda o que era.
Assim, ambos montaram os Grifos com seus guerreiros formidáveis e alçaram vôo pelos céus. Taty ia montada no mesmo Grifo que Alice Raio-de-Sol com Chii ainda adormecida em seus braços. De perto, aquela mulher era ainda mais linda e formidável. O cheiro dela era como o perfume de um jardim maravilhoso da terra de Licht, cultivado pelas Fee antes do Êxodo.
E ela pensou que era natural aquela mulher cheirar daquela forma porque, afinal de contas, ela também era uma Fee.
A tribo dos Griffon sempre viveu naquelas florestas do norte, desde a primeira memória do mundo. Eles são como um povo bárbaro, afastado do restante do mundo não por medo, porque existem poucas coisas em Disturbed tão pavorosas e ameaçadoras quanto esse povo, que cavalga um ser tão arisco quanto um Grifo, mas sim por escolha própria. Eles preferiram deixar que o mundo seguisse seu caminho por conta própria sem interferirem, esperando assim que também ninguém interferisse com seu modo de vida.
Mas claro, nunca é assim que acontece.

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